quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Loucura maior é andar por aí, em um dezembro insano, e sentir a tua falta.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Foto Conto, por Samantha Abreu

foto de gasior
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E quem te disse que a realidade não é pura fantasia?
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

por Juliana Hollanda

Fragmento da Homenagem ao Grande Mario Bortolotto - em 10/12/09 - no CEP 20.000 organizado por Chacal, Tavinho Paes e muitos outros poetas:

domingo, 20 de dezembro de 2009

Entre Elas: Fabrício Carpinejar

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O QUE O HOMEM DEVERIA ENXERGAR
especial para Versos de Falópio
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Uma faxineira me contou.
Ela demorou muito tempo para entender a insatisfação de sua patroa.
Lavava, arrumava, ordenava com esmero e recebia alguma reclamação sobre a falta de capricho no fim do expediente.
Da onde tirava essa conclusão?
Ela já confiava na hipótese de que não recebia elogio de propósito, para não se acomodar, que era um método de superação. Ou uma maldade produtiva.
Ameaçou largar o endereço, desistir de convencê-la da injustiça, reclamou ao marido a tortura de viver esmolando elogio.
Mas ela acabou capturando o motivo da cisma constante e semanal. Libertou-se da dúvida.
A patroa não vistoriava a casa, não observava o conjunto, não conferia o chão ou as roupas dobradas. Talvez nem fiscalizasse o pó das mesas. Reparava em um único detalhe: os interruptores de luz. Se apareciam brancos e brilhantes, tomava como princípio que o trabalho foi bem feito. Quem lavava o interruptor pensaria em todo o resto. Logo ao acender a luz, a dona da residência aprovava ou criticava o serviço. Nem lançava as pupilas pelos aposentos.
Essa percepção da patroa, que elege o ínfimo como senha da limpeza, e o cuidado da faxineira, que compreende a mensagem invisível, revelam as sutilezas femininas.
O homem deveria ficar mais distraído. Só a distração nos conduz ao indispensável.
Por exemplo, eu enlouqueço com mulher que mexe os brincos no meio de uma conversa. Há um desinteresse charmoso nesta atitude. Quase um desprezo desafiador. Redobro as gentilezas. Ofereço o que ela não ousou pedir. Sinto que vou perdê-la no próximo instante, que algo que lembrou supera a minha voz.
Para me torturar, ela vira o pescoço sutilmente ao lado. Tal apresentadora atendendo a um ponto dos produtores.
Não posso acusá-la de indiferença - mantém os olhos no meu rosto.
Comemoro sua sofisticação, a complexidade dissimulada. Concluo que esteja conversando com seus demônios. E que o demônio no ombro direito ameaça, bem desaforado:
- É sempre dia para o corpo. Vai, abraça esse canalha!
Já a percebo como uma feiticeira, uma bruxa, uma doida, que está definindo sua vida tocando as curvas do lóbulo. É o detalhe que decide. O detalhe conspira, inunda, confunde. Ela diz sim a partir dos ouvidos mais do que da boca. O ouvido tem que gostar de mim.
Por isso minha escola são os interruptores de luz: uma mulher fica realmente nua quando tira os brincos.
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Fabrício Carpinejar nasceu em 1972, em Caxias do Sul (RS). É poeta, cronista, jornalista e professor, autor de treze livros, oito de poesia. Sua coletânea "Canalha!" (Bertrand Brasil) venceu o 51º Prêmio Jabuti/2009. Está lançando o primeiro livro no Brasil com frases do twitter (Bertrand Brasil, 2009), reunião de mais de 400 máximas e aforismos. Carpinejar apresenta o programa “Escrita Fina” na Rádio Unisinos FM 103.3, de entrevista com escritores, e dá dicas culturais na Rádio Itapema FM 102.3, no programa ABOADICA. Desde outubro de 2005, escreve o Consultório Poético, no condomínio da Globo (Bloglog). É colunista da revista mensal Crescer, de São Paulo, e colaborador de jornais como Zero Hora e O Estado de São Paulo e de revistas como Caras, Cláudia e Cultura.
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sábado, 19 de dezembro de 2009

Das Classificações, por Patrícia Lage

Believe, believe in me, believe...
(Tonight, Tonight - Smashing Pumpkins)

_ Certas janelas não trazem meus olhos, e eu digo melhor através deles.
_ Não, você escreve bem. É uma grande escritora.
_ São palavras. Dizer vai além de escrever, simplesmente. O que faço aqui é apenas uma tentativa de decodificar as coisas que sinto. As palavras são um meio, o que cabe aqui.
_ Correto. O que você quer?
_ Ficar quieta. Desde que nasci espero pelo momento em que vou ser entendida sem precisar dizer.
_ Não chegamos nesse nível ainda.
_ Porque amor nem se chama amor, nem tem nome nenhum.
_ Desse jeito, vai esperar pra sempre.
_ Então eu vou esperar pra sempre. Enquanto isso, as pessoas que cruzam comigo chamam isso de mim de amor racional, mesquinho, pequeno e mundano.
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Outonos dezembros, Por Lais Mouriê


Você é um abismo. E eu uma folha oscilante que adora voar. Aquelas folhas de outono, meio verdes, meio secas, retratadas nos meus olhos indefinivelmente sem cor. Ter nascido em Abril me fez folha. E me apaixonar por você em Dezembro te fez cume. E esse contato abismal nos fez brisa. Impropérios que nunca mais poderão ser ditos. Dezembros que não terão lugar nas realidades estatísticas de nossos futuros. Solidões de mãos dadas com a saudade.
Você é um abismo que apaixonadamente demorei revelar. Temia a morte risonha que me perscrutava, a felicidade ténue que me apontava nossa finitude e o Dezembro amaldiçoado que, como outrora, inadvertidamente, penetrei. Não dei ouvidos às previsões zodíacas que me mandavam ficar em casa, janelas e portas fechadas, mudez e atitude contra a contravenção do amor.
Eu sou uma folha branca e deflorada. Com a fome do pólen e da primavera. Danço pelo ar, arrastada pelo vento, castigada pela chuva e forçosamente queimada pelo sol de verão. Passeio em seu abismo como se soubesse que nele me espera o chão. Mas seu buraco é mais negro e seu chão é apenas uma branca nuvem por onde eu transpasso facilmente, em direção ao nada.
Estou confusa e louca, abismo e folha-quase-seca. Estou apaixonada por mais um Dezembro.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

I´m gonna leave you, por Clara Arôxa

Babe, baby, baby, I'm gonna leave you.
I said baby, you know I'm gonna leave you.
I'll leave you when the summertime,
Leave you when the summer comes a-rollin',
Leave you when the summer comes along.

Senta, mas não me conta nada. Hoje eu não quero ouvir absolutamente nada que remeta ao teu passado ou ao teu futuro. Engula as suas frustrações e as deixe bem guardadas em seu estômago, não vivo de tristeza alheia e nem meu assunto preferido é as tuas mancadas. Se você não está pronto, assuma e dê meia-volta para me poupar desse discursinho barato de quem nunca sabe aonde quer chegar. Dizer que não sabe é aliviar a culpa de passos em falso, tentativas vãs e muita hipocrisia. Não estou nem aí se você está bem ou mal, o que importa é se o copo está cheio enquanto a minha sede é muita. Se você se afunda, não me leve junto e nem imagine que meu braço suporta teu peso. Aqui, ainda existe algo que pulsa e que não admite mais que você aperte o botão para desacelerar o que vive acelerado por natureza, não há mais espaço para as tuas manias de me ver como uma folha que suporta todas as letras, independente do contexto. Chega de problemas e esperanças tardias. Eu não pretendo ser sua melhor amiga e nem psicóloga. Me poupe dos segredos e dos comentários indiscretos, estou tapando os meus ouvidos. A paciência e as vontades acabaram,os últimos pedidos foram feitos por aquela mesa, lá no final do corredor. Está decretado o fim.

Apenas sente e fique calado.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Universo Particular, por Samantha Abreu

foto de Ernesto Timor
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Existe um universo particular ainda desconhecido.
Pode-se saber algumas cores e dores, sem esperar com isso qualquer tipo de segurança que garanta autodomínio. A ribanceira depois da curva é sempre inesperada.
Desse mundo até agora não se sabe se redondo, se planície ou pra que lado se deve ir. A única certeza é de que no limite da razão ainda somos perdoáveis. Mas a um passo depois da linha, não.
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

sobre atmosfera e um papo no banheiro (II), por Juliana Hollanda


o trem já partiu
coração dispara
infarte
fonte de água jorra a goles
cachoeira pra desengasgar
entalada que estou com
palavras
que esqueci de lembrar
momento passa
frases perdem sentido
momento já foi
deixou de existir
não insista



* fragmento integrante do meu novo livro
ENTRE SEM BATER
(edição de arte experimental
e limitada de 40 exemplares)

para comprar e-mail para: jupyhollanda@gmail.com